Conversas para colocar as discussões de preço na hora certa
- Fernando Ximenes
- 13 de dez. de 2024
- 3 min de leitura
Atualizado: 15 de dez. de 2024

Os clientes estão colocando o preço em discussão cada vez mais cedo. Muitas vezes, antes mesmo de discutir as partes técnicas da proposta. E estamos nos acostumando a isso como se fosse algo razoável.
Assim o preço acaba se tornando protagonista, e ao final será sempre menor do que em sua primeira versão. Perdemos tempo e perdemos margem.
Pode parecer estranho mas, nesses casos, acredito que estamos falando de preço tarde demais. Clientes como esses talvez não devessem estar em nossa carteira - nem como prospects.
Desconheço um motivo razoável para que, nos serviços típicos de cada um de nós, deixemos de mencionar com clareza em toda a nossa documentação de marketing uma faixa de duração de projetos e uma faixa de honorários. Afinal, basta consultar o nosso próprio histórico e extrair dali esses números.
Essa primeira "conversa" assíncrona nos pouparia de muitos incômodos. O maior deles é ser vendedor de Mercedes e negociar com quem quer comprar Fusquinha.
Porém há conversas muito mais interessantes. Por exemplo:
Começar pelos resultados: "O quanto você espera ganhar ou deixar de perder como consequência do projeto? Além dos resultados diretos que vamos construir juntos, que outros benefícios serão alcançados depois?
Falar sobre os ativos do cliente: "Que processos, sistemas, conhecimentos e outras capacidades você tem hoje que gostaria de manter como estão? Onde não devo mexer? O que existe e que poderia estar sendo melhor aproveitado?
Mencionar o método de trabalho: "Faz parte do meu modelo de consultoria deixar a sua equipe preparada para seguir em frente sem depender de mim. A que pessoas do seu time você gostaria que eu desse uma atenção especial?" Ou, ainda: "Qual a sua ideia sobre o prazo para a obtenção dos resultados? Podemos examinar juntos o programa de trabalho para encontrar maneiras de acelerar isso?
Não fugir dos riscos: "Do seu lado, quais os riscos que você enxerga? Onde devo ter mais cuidado? Alguma sugestão para lidarmos com isso?" E mais: "Do meu lado, estes pontos do método de trabalho são os mais críticos, e quero deixar isso visível desde já". E mais ainda: "Podemos falar sobre a relação entre resultados e riscos? Se você achar viável, podemos acelerar o retorno do projeto desde que consigamos controlar os riscos A, B, C, Faz sentido?
Abordar o pós-projeto: "Gosto sempre de olhar um pouco adiante, para as implicações do projeto. Dentro do que estamos discutindo, vejo que há alguns custos de adoção inevitáveis: treinamento de algumas pessoas; a aquisição de um sistema; o impacto sobre uma outra área da empresa; e, pelo que você me disse, alguns custos políticos também. Acho que há custos de adoção inevitáveis, mas podemos tentar minimizar os outros?"
E, por fim, o preço que justifica tudo isso.
Desconheço um cliente que mereça estar em minha carteira e não goste de falar sobre estes assuntos.
Mais ainda, estas perguntas que quase nenhum consultor faz nos abrem a porta para discutir opções de proposta. Quando vier a inevitável conversa sobre preço, caso o cliente não possa ou não queira pagar pelo nosso serviço pleno, teremos (minha sugestão) três opções progressivamente mais valiosas e mais caras para que o cliente escolha.
Não mais um "sim" ou "não" para uma proposta única e fechada, mas uma série de componentes que podem ser acrescidos ou retirados sem que nossa lucratividade seja afetada.
Azar dos concorrentes que não souberem trabalhar como nós.
A dificuldade para agir assim está numa atitude comum entre os consultores independentes: o desconforto de falar sobre preço.
Espero que este pequeno artigo ajude a fazer com que você mude de ideia.
Este artigo foi editado pela última vez em 12 de dezembro de 2024.
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